Casamento civil também é festa: por que o cartório não precisa ser frio

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Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que o civil é só "a parte chata" do casamento? Um trâmite. Uma assinatura. Aquilo que se faz rápido, de manhã cedo, antes da parte que "importa de verdade" à tarde.

Já fotografei mais de 350 casamentos. Boa parte deles teve os dois atos, o civil e o religioso, e outra parte teve só o civil, no cartório mesmo, sem nenhuma cerimônia depois. E se tem uma coisa que aprendi vendo essas duas versões do mesmo compromisso lado a lado, é que a sala do cartório não é o ato menor. Às vezes é o mais verdadeiro dos dois.

Eu também já tratei o civil como formalidade

Vou ser sincero: no começo da carreira, eu também enxergava o civil como aquele momento pra "resolver logo". Chegava, fotografava a assinatura, talvez um retrato rápido do casal na saída, e seguia pro que eu imaginava ser o verdadeiro trabalho do dia. O problema não era a cerimônia. Era o meu olhar sobre ela.

Foi acompanhando família reunida num saguão de cartório, avó emocionada, testemunha rindo enquanto assina, criança pequena sendo abraçada no meio da bagunça boa de todo mundo se cumprimentando, que percebi o tanto de vida que eu estava deixando passar por achar que aquilo era só burocracia.

O que muda quando alguém decide olhar de verdade

Uma noiva me disse uma vez, depois de ver as fotos do civil dela, algo que carrego até hoje: "Eu não esperava chorar vendo essas fotos. Achei que ia ser só o papel." Um celebrante com quem já cruzei em dezenas de cerimônias costuma dizer que o silêncio de quem assina um documento diante de testemunhas tem um peso que a igreja lotada, com toda sua música e flores, às vezes não alcança.

E é isso que a câmera pega, quando alguém se dá o trabalho de olhar: mãos que tremem segurando a caneta, um pai que aperta o ombro do filho antes de ele entrar na sala, o riso solto de uma testemunha, os aplausos genuínos de um corredor cheio de gente que ama aquele casal. Nenhuma dessas coisas foi ensaiada. Ninguém marcou hora pra esse tipo de emoção aparecer.

Noivos abraçados sorrindo enquanto observam a assinatura do documento de casamento civil


Noivos rindo muito próximos um do outro logo após a cerimônia de casamento civil

O cartório tem o que a produção não consegue fabricar

Vivemos numa cultura de casamento que valoriza cada vez mais a produção. Decoração, iluminação de palco, coreografia de entrada. Nada disso é errado em si. Mas quando a produção vira o centro, a verdade do momento costuma sair de cena.

O civil, justamente por não ter roteiro, escapa dessa armadilha. Não tem ensaio de entrada, não tem luz posicionada, não tem plateia esperando o efeito. Tem duas famílias, um documento e um compromisso sendo assumido diante de pessoas reais. É simples assim, e talvez seja exatamente por isso que carregue tanta verdade.

Isso não significa que o civil precise ser triste, apressado ou vazio de sentido para ser sincero. Pelo contrário: dá pra ser leve, gostoso, cheio de risada em família, e ainda assim continuar sendo profundo. Uma coisa não substitui a outra.

Convidados aplaudindo no corredor do cartório durante a celebração do casamento civil


Um convite, não uma regra

Não estou dizendo que toda cerimônia religiosa é encenação, nem que todo civil é automaticamente mais bonito. Estou dizendo que talvez valha a pena rever a etiqueta que colamos nesse momento antes mesmo de vivê-lo. Talvez seja simples assim: antes de tratar o civil como o ato que se cumpre rápido pra chegar logo na festa, vale perguntar se você não está deixando passar uma das partes mais reais do seu casamento.

Se você está planejando o seu, dá pra chegar no cartório com a mesma intenção que se leva pro altar. Reunir a família com antecedência, avisar quem quiser estar por perto, deixar espaço pra emoção acontecer sem pressa. E se quiser um olhar que registre isso com o mesmo cuidado que registraria uma cerimônia inteira, esse é o tipo de trabalho que faço.



Perguntas frequentes

O casamento civil pode ser tão emocionante quanto a cerimônia religiosa? Pode, e com frequência é. A emoção não depende do tamanho da produção. Depende de quem está presente e da intenção com que o momento é vivido. Famílias reunidas, testemunhas próximas e a assinatura de um compromisso real costumam gerar reações tão genuínas quanto as de uma cerimônia religiosa tradicional.

Vale a pena contratar um fotógrafo só para o casamento civil? Vale, principalmente quando o civil é o único ato do casal ou quando ele acontece em data separada da festa. É nesse momento que o compromisso legal é assumido diante de família e testemunhas, e as reações desse dia normalmente não se repetem depois.

Quanto tempo dura, em média, uma cerimônia de casamento civil? Costuma durar entre quinze e quarenta minutos, dependendo do cartório e das fotos que fizermos depois, ou não. É um tempo curto, mas concentrado em momentos de alta emoção, o que exige atenção total de quem está registrando.

É possível fazer um casamento civil com festa e clima de celebração? Sim. Nada impede reunir a família num café da manhã antes, organizar um brinde depois da assinatura ou simplesmente deixar as pessoas ficarem à vontade para se abraçar e comemorar no corredor do cartório. O clima de celebração vem da intenção do casal, não do tamanho do evento.

O que fotografar durante uma cerimônia civil no cartório? Além da assinatura em si, os momentos que mais carregam verdade costumam ser a chegada e os cumprimentos da família, a troca de alianças, a reação das testemunhas, os aplausos depois da assinatura e os abraços de despedida. São detalhes que contam a história tanto quanto o documento assinado.

Casamento civil e casamento religioso podem ser no mesmo dia? Podem, e é bastante comum. Alguns casais preferem separar as datas para dar a cada cerimônia o seu próprio espaço e atenção, especialmente quando querem reunir grupos diferentes de convidados em cada uma.

Como deixar o casamento civil mais pessoal e menos burocrático? Reunindo por perto quem realmente importa, escolhendo com cuidado quem serão as testemunhas, reservando um tempo depois da assinatura só para a família se cumprimentar sem pressa, e contratando um registro fotográfico que trate o momento com a mesma seriedade de uma cerimônia religiosa.

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